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Um ano e meio depois do início da pandemia, vivemos um novo momento!

Um ano e meio depois do início da pandemia, vivemos um novo momento!

Manhã do dia 27 de setembro de 2021, às 9 horas e 25 minutos. Um momento que ficará marcado para sempre na memória da médica cardiologista da Unimed de Jaboticabal, Dra. Márcia Regina Cadelca. Ela entra no CTI da Covid, no Hospital Santa Isabel, para fazer a visita de rotina. Conversa com a médica de plantão que relata que o ÚNICO paciente internado passa bem e está com o caso em resolução. Dra. Márcia – que acompanhava o histórico do paciente há dias – analisa o caso e às 9hs47min, concede a alta. É a primeira vez, desde março de 2020, que o chamado NÚCLEO COVID está vazio. Dra. Márcia tenta resumir o que sentiu.

“Naquele momento, que dei alta para o último paciente que estava ali internado com Covid, eu tive uma emoção muito grande, algo que eu não tinha sentido desde que nós começamos a luta contra a Covid em março do ano passado”.


Dra. Márcia posta a informação e imediatamente aquela notícia positiva viraliza nas redes sociais.

 

Hoje, olhando a ala vazia, silenciosa, a profissional relembra, emocionada, os momentos difíceis que passou.
“No período de explosão dos casos, da superlotação, todas às vezes que eu vinha para cá, eu me preocupava com o alto número de pacientes. A quantidade de leitos disponíveis para quem estava esperando, na UPA ou no 24 horas da Unimed, para ser internado. Se teria ou não respiradores e materiais para essas pessoas. Foi um momento dramático! Chegamos a ter a capacidade máxima de 32 pacientes internados, sendo 20 entubados. A gente entrava ali na unidade e era uma correria, gente andando para todo lado, uma loucura”.

CTI da Covid  vazia após mais de 1 ano de pandemia

Perguntada se, naquele momento, ela tinha a exata dimensão daquele problema e de quanto estava sendo trabalhoso, Dra. Márcia dá uma resposta que surpreende. “Na hora que a gente estava ali, naquela batalha, não tinha tempo para pensar sobre aquilo, você simplesmente fazia. A impressão que eu tinha é que eu estava no meio de uma guerra e eu não estava preocupada quem estava de um lado e quem estava do outro. Eu simplesmente tinha que lutar! Hoje a gente olha para trás, analisa aqueles dias de terror e a gente não consegue entender como nós passamos por isso e conseguimos chegar até aqui! Foram situações muito estressantes. Agora, a sensação é de felicidade e dever cumprido. O que tínhamos que fazer, o nosso propósito, aconteceu!”

Outro profissional que esteve na linha de frente de combate ao Covid-19, foi o enfermeiro coordenador da Unimed 24 horas, David Pereira Pilato. Ele lembra que a direção da Unimed decidiu, em março de 2021, montar um local de atendimento especializado só para os casos da doença. “Desde lá até o mês de julho deste ano trabalhamos sobrecarregados, com bastante internações. Nossos profissionais tiveram férias e folgas canceladas, enfrentaram turnos dobrados. Fizemos contratações emergenciais de 18 técnicos de enfermagem e 6 enfermeiros para conseguir manter o atendimento e mesmo assim trabalhamos no limite. Colegas ficaram doentes, foram internados, o emocional ficou abalado. Tínhamos que votar para casa e, mesmo usando todos os equipamentos de proteção individual oferecidos pela Unimed, trocando a roupa antes de sair do trabalho, ter que chegar em casa e pensar: meu Deus! Eu estava cuidando de uma pessoa com Covid. O medo de passar para algum parente, uma esposa, um filho, era muito difícil. Aí conversávamos bastante com as equipes, porque tínhamos o dever de cuidar das pessoas que estavam aqui”.

Pergunto a ele como é ver a ala vazia agora.

“A hora que a gente chega no plantão e vai fazer o checklist dos materiais, dos respiradores, dos monitores e vê tudo desligado, não escuta nenhum barulho, as camas vazias, dá um sentimento de dever cumprido, uma paz, um orgulho de saber que não tem mais ninguém sofrendo ali dentro por causa dessa doença, um momento gratificante e emocionante! ”

Davi explica que o trabalho em uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) é sempre difícil, mas agora todos vivem esse novo momento. “Estamos mantendo esse local preparado para eventuais processos que possam surgir. Alguma variante da Covid, por exemplo. Um ou outro paciente com Covid poderá voltar a ser internado, lógico. Também temos as doenças da rotina no pronto atendimento de urgência e emergência, sempre estamos preparados para as patologias. Mas aquela sensação de você receber um paciente com síndrome respiratória, ter que entubar, passar sonda, fazer um processo invasivo, graças a Deus isso acabou e hoje o sentimento é de alívio”

Dra. Márcia enche de elogio os profissionais da equipe que batalharam ao lado dela. “Eu só tenho a agradecer a todos, Vantini. Alguns médicos do corpo clínico não puderam nos ajudar por questões como limitação de idade ou comorbidades. Foi então que surgiram profissionais que não eram especialistas em UTI, mas me disseram: eu vou, eu quero ajudar! Eles se tornaram capazes e alguns deles resolveram se especializar em terapia intensiva. Essas pessoas nos surpreendem e eu terei uma gratidão eterna por cada um deles! ”

Dr. Fábio Barato, ginecologista e obstetra, conselheiro da Unimed, lembra que a pandemia não acabou e que os cuidados devem continuar, mas comemora o novo momento e a superação dos profissionais. “Graças ao esforço conjunto de toda a equipe Unimed e Hospital Santa Isabel, conseguimos superar e vencer as fases mais críticas da Covid, com a sensação do dever cumprido. Mas não podemos esquecer que os cuidados de prevenção da população ainda são essenciais e devem ser mantidos para evitarmos o risco de uma nova onda. Vencemos uma batalha e o balanço é positivo.”

Texto e Reportagem: José Vantini Júnior

Fotos e Edição: Claudio Paulino

 

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